Samantha Morton, ou Alpha, e o regresso de The Walking Dead: “A série vai surpreender os fãs e recompensá-los”
A actriz britânica fala ao PÚBLICO de uma personagem, mas também de como foi entrar num fenómeno de cultura pop em renovação – especialmente quando não se vê televisão e se vive fora das redes sociais.
Do outro lado do telefone, Samantha Morton soa genuinamente calorosa e alegre – uma antítese da sua personagem na série The Walking Dead, que regressa esta segunda-feira à Fox para começar a volta final da sua 10.ª temporada. Actriz de Jim Sheridan, Woody Allen ou de Relatório Minoritário, nomeada para dois Óscares, em 2019 entrou numa das séries mais vistas da última década sem acompanhar televisão e com pouca noção, também, de que estava a entrar numa história e num fenómeno que já vira melhores dias.
Uma nova showrunner, Angela Kang, tem trazido renovação a um universo televisivo que estava em perda mas que já em Abril se expandirá com uma segunda série spin off (que em Portugal se estreará no AMC). Mas agora é tempo dos misteriosos Whisperers, da despedida de Michonne e de Samantha Morton falar de como nunca viu Os Sopranos e do seu amor pelo cinema de terror dos anos 1980.
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De fora, como via o mundo The Walking Dead, das séries aos comics, antes de entrar na temporada anterior?
Não sabia de nada salvo um cartaz que vi na rua há anos. Não vejo... não via muita televisão, vejo muitos filmes, documentários. Tenho três filhos, seis animais, estou ocupada. E escrevo, e realizo, e decoro falas. Não tenho tempo para binge watching. Ainda não vi Os Sopranos, sou uma pessoa ocupada (risos).
Quando chegou a oferta, fiz uma pesquisa rápida e a primeira coisa que me entusiasmou foi que era filmada em película e que cada episódio era como um filme. E aí comecei a ver, vi muito, e achei brilhante. Fiquei muito impressionada pela fotografia, pela composição, pela actuação, pelo guião. E quando era miúda gostava muito de terror e os meus agentes não sabiam - cresci a ver filmes de George Romero, A Maldição dos Mortos-Vivos, O Dia dos Mortos, Os Olhos da Montanha, O Ente Misterioso, adorava Poltergeist e o Sexta-feira 13 original, Pesadelo em Elm Street, filmes dos anos 1980 que era demasiado nova para ver.
Nunca tinha feito nada do género e deram-me a honra de interpretar uma personagem icónica dos livros, Alpha. Passei de estar intrigada e entusiasmada para estar excitadíssima, “sim, por favor!”. Quis fazer o meu melhor pela Alpha pela equipa que mantém a série há tanto tempo, e pelos fãs.
Portanto não tinha noção do fenómeno de cultura popular que é The Walking Dead...
Não. Vivo numa quinta no meio de nenhures, num parque nacional, com os animais que resgato e ajudo por isso não saio muito (risos). Só criei uma conta nas redes sociais há oito meses só porque... sim...
Ao chegar a esta equipa e intriga tão intrincadas, o que fez a diferença?
Angela [Kang] era argumentista da série e agora é a showrunner e ela protegeu-me e empoderou-me para encontrar esta personagem. O produtor e realizador Greg Nicotero foi o meu mentor, ajudou-me a ser o melhor possível. E neste mundo, há a Tracy, que faz a caracterização. Somos uma pequena equipa. E eu e Ryan Hurst [que interpreta a personagem Beta] criámos uma ligação muito forte. Há que encontrar uma equipazinha. Quando terminámos as filmagens em Novembro, tive mesmo saudades deles quando regressei a Inglaterra.
E depois entra na série como uma vilã atípica, que provavelmente não se considera uma vilã. O que a atraiu para o projecto de lhe dar corpo?
Em primeiro lugar, sempre que pegamos numa personagem - e já desempenhei mulheres muito duras - temos de encontrar a verdade daquela pessoa. E com Alpha, na temporada anterior, vemo-la mesmo antes do apocalipse, mas são as recordações da [filha] Lydia e não são necessariamente verdadeiras. A memória é uma coisa complexa. Na temporada 10, com os Whisperers, há um novo flashback - o que foi uma oportunidade fenomenal de explorar as raízes de alguém. A série é muito boa nesse aspecto, dá-nos a possibilidade de entrar e sair do passado e do presente das pessoas. Não foi só interpretar um vilão de BD, foi encontrar o espírito e a essência da pessoa e daí podemos saltar para onde quisermos porque conhecemos a personagem.
O que pode dizer sobre o o seu percurso nos próximos episódios?
Está tudo relacionado com Lydia, tem tudo a ver com ser mãe.
É possível descrever um espírito ou tema desta última tranche de episódios?
Acho que a série vai surpreender os fãs e recompensá-los. Quando pegamos nos guiões, só tenho de interpretar aquele momento, ser pura. Há muitas personagens, muita história na série e para o futuro da série e acho que é absolutamente fascinante. Quem adora a série vai ficar muito feliz.