Opinião

Cartas ao director

Quem tem medo do NAL?

Acho piada a alguns políticos com responsabilidades actuais, sejam de cariz nacional seja local, leia-se Lisboa, ficarem muito chateados por o aeroporto do Montijo poder vir a ser posto em causa pelos autarcas da Moita e do Seixal. A lei afinal só é boa quando nos satisfaz o ego, leia-se interesse. Para corroborar o que acabo de dizer, afirmo que o NAL em Alcochete só não foi para a frente porque Lisboa se opôs. Ao contrário das principais capitais europeias, Lisboa quer o seu aeroporto e a Vinci também.

De fato, pegando na escrita do eng.º Carlos Matias, ex-bastonário da Ordem dos Engenheiros e Presidente do LNEC entre 2005 e 2010, publicada no jornal Expresso de 29 de Fevereiro passado, que aconselho a lerem, a localização do Novo Aeroporto de Lisboa, foi aprovada e homologada pelo Conselho de Ministros em 2008, conforme Decreto-Lei n.º 19/2008. Nessa sequência foram dadas instruções pelo governo à NAER para elaborar o projecto, que o concluiu em 2010, tendo também sido emitida a respectiva Declaração de Impacto Ambiental, que ainda está válida, termina a 9 de Dezembro de 2020.

Como refere o mesmo autor, mesmo tendo o XIX Governo assinado contrato de concessão dos aeroportos em 14 de Dezembro de 2012 com a Vinci, o artigo n.º 42.1 deste contrato não põe em causa o NAL em Alcochete, pelo contrário afirma-o, se não vejamos o que refere este artigo: “A concessionária deve envidar os melhores esforços para maximizar a capacidade operacional das infra-estruturas aeroportuárias do aeroporto da Portela até à abertura do NAL”. Isto é muito claro! Só não vê quem não quer ver o que se passou a seguir… Mas o povo não é parvo, ainda há espaço para os políticos impolutos e que falam a verdade, sobretudo em assuntos desta importância para o país. Haverá? Virão sempre a tempo!

Gonçalves André, Loures

Sistema de justiça

Pede-nos o primeiro-ministro, tentando minimizar o prejuízo demonstrativo de uma democracia em que o amiguismo, o compadrio e a corrupção parecem ser a prática corrente, que temos de ter confiança no sistema de justiça. Não primeiro-ministro, não a podemos ter porque é sabido que o exemplo tem de partir de cima, de quem dirige/preside, o que, alegadamente, e segundo os últimos relatos, parece não ter acontecido. E não será apenas um caso pontual mas, provavelmente, um procedimento praticado, sem desfaçatez, nos últimos anos e, sabe-se lá, até que ponto não estará, eventualmente, disseminado em toda a hierarquia e há longo tempo.

Quem pertence a organismos institucionais de Justiça (os outros para o presente caso não interessam) tem de nos merecer a confiança absoluta. No caso de quem dirige/preside a essas instituições ainda mais certezas nos têm de ser garantidas relativamente ao comportamento ético e moral desses agentes. Quem são e onde andam as entidades de fiscalização? Existirão? Provavelmente não, porque desnecessárias, atendendo a que esses senhores resistem a qualquer tentativa de corrupção e, ainda mais, à sua prática. Um bem haja à imprensa de investigação...

Jorge Loureiro, Anadia