02. Reportagem "Viagem ao país do futuro"
Exclusivo para assinantes Para uma história universal dos deslocados
Miró da Muribeca é o nome de um poeta alegrista. Quem o conhece sabe que isso quer dizer. Faz poesia na rua, próxima da crónica social. Satírica, mordaz, às vezes triste, com raiva. Miró vive no Recife e é um poeta, “um preto filho de analfabetos”, como diz, que não cumpriu o sonho da bola, mas descobriu a arte com Carlos Drummond de Andrade. Solitário, sem casa, é um deslocado como os protagonistas de Vidas Secas, romance do alagoense Graciliano Ramos que nos leva para um território de secura e mudez. Dos que fogem pelos sertões. Para sobreviver ou à procura das palavras da cidade.