Cartas ao director
Festa ou prova de vida?
(...) Pesados os prós e os contras de levar a efeito a grande romaria anual dos comunistas portugueses e seus “compagnons de route”, os seus dirigentes decidiram-se, contra ventos e marés, pela sua realização. A extraordinária capacidade de mobilização e organização que o PCP mostra anualmente aos portugueses é um factor a seu favor, particularmente este ano em que se realizará o XXI Congresso e já próximo das presidenciais e autárquicas. A Festa do Avante! (...) funciona também como “prova de vida” do PCP, partido a registar perdas de influência em todas as últimas eleições (...). A Festa do Avante! deste ano visará inverter o ciclo negativo do PCP e representa um cerrar de fileiras para os combates que se aproximam, sendo a discussão e aprovação do OE2021, a questão mais melindrosa e sensível. Por outro lado, a realização da Festa implica também a assumpção de alguns perigos para os organizadores. Se, apesar de todas as prometidas precauções e cautelas, surgir um surto de infectados com origem na Quinta da Atalaia, serão enormes os prejuízos políticos. Faço votos de que tudo corra pelo melhor!
Helder Pancadas
Sobreda
Mais populares
Um muro no Mediterrâneo?
O número de imigrantes ilegais que chegam clandestinamente à Europa via Mediterrâneo não tem fim. Várias ONG vasculham o mar para socorrer muitos deles (...). A Europa não os quer. Lampedusa está a abarrotar, outros permanecem no mar à guarda de ONG, sem solução à vista, outros chegam às várias costas europeias em pequenas embarcações. A indiferença internacional é gritante e são esquecidos os valores da solidariedade humana e do humanismo. Não será possível que as organizações internacionais, com a ajuda dos empresários mundiais e dos governos africanos, criem condições para a fixação dessas pessoas nos seu países ou estamos a caminho da criação de mais um muro, desta vez no Mediterrâneo? Ou já existirá?...
Jorge Loureiro
Anadia
Sistema disfuncional
O triste relato dos acontecimentos em Reguengos de Monsaraz tem um significado que ultrapassa o lar de idosos da cidade alentejana e o contexto da atual pandemia. Tanta falha, desleixo, irresponsabilidade e inação são um sinal de um sistema disfuncional. E este problema não é exclusivo de Reguengos. Em quantas direções, administrações, regionais ou municipais e outras que tais estão nomeados/colocados dirigentes responsáveis desprovidos de cartão partidário, simplesmente pela sua competência? Em quantas cidades e vilas o poder autárquico e autocrático sustenta e controla uma fatia excessiva da sociedade/economia local, asfixiando e condenando toda iniciativa ou crítica que o possa questionar? Qual é o contrapeso que trava estes pesos-pesados? As eleições e a alternância democrática? Teoricamente sim, mas a prática prova que estes sistemas acabam por se enraizar de tal forma que sobrevivem com facilidade a esse escrutínio (…).
Carlos J. F. Sampaio
Esposende